Ônibus-biblioteca: aumenta o número de leitores
- 9/6/2009
Empréstimos de livros nos ônibus crescem 20% ao mêsOficinas da Libre
atraem principalmente crianças, jovens e mulheres
O
total de leitores atendidos pela frota de Ônibus Biblioteca, da
prefeitura de São Paulo, aumenta 20% ao mês, segundo Marta Nosé
Ferreira, supervisora de bibliotecas e coordenadora do projeto na
Secretaria de Cultura. Atualmente, são quatro veículos que fazem 28
roteiros regulares em áreas de periferia da cidade -- indo e vindo em
dias certos da semana para emprestar e pegar de volta os livros. Ou
seja, uma biblioteca volante em cada um desses 28 bairros.
Em
março, foram 10 mil atendimentos e mais de 22 mil livros emprestados, o
equivalmente a 286 pessoas por dia que levaram para casa obras de seu
interesse, completa Maria Zenita Monteiro, coordenadora do Sistema
Municipal de Bibliotecas. Em 2010, diz ela, a prefeitura pretende ter
mais quatro ônibus disponíveis para o projeto, ampliando o atendimento
fixo a outras 28 regiões (56 no total); e, em 2011, mais quatro,
somando 12 veículos, capazes de cobrir, semanalmente, 84 bairros.
Por
meio da parceria firmada com a Libre-Liga Brasileira de Editoras, desde
outubro de 2008, os ônibus passaram a oferecer também atividades
culturais. Contação de estórias, reciclagem de materiais, leitura,
cordel, montagens. As oficinas acontecem, em geral, uma vez por mês em
cada um dos 28 roteiros, conduzidas por autores de editoras associadas
-- remunerados pela Secretaria de Cultura.
Para o mês de junho,
foram programadas, entre outras, leitura de cordel e cantoria com João
Gomes de Sá ("O Corcunda de Notre Dame", da Nova Alexandria), oficina
de música e trava-língua com Cacá Lopes ("Cinderela em Cordel", da
Claridade), de leitura, interpretação e montagem com Jenny Rosen ("50
maneiras de Criar um Bebê sem Frescura", da Panda Books), etc.
Todos
os oficineiros estenderam, voluntariamente, de 45 minutos para duas ou
três horas, o período das atividades. Esses escritores e educadores
também contribuem com material de papelaria e livros para doação.
"Tivemos literatura de cordel, ateliers de desenho e ilustração, música
como trilha sonora de uma boa leitura, confecção de máscaras, criação
de jogos interativos que pedem o conhecimento da língua portuguesa. Os
temas mais abordados foram a literatura infantil, o meio ambiente e
fauna e flora brasileira", descreve Erika Balbino, uma das
coordenadoras da programação apoiada pela Libre.
A oficineira Marta Martins ("Maricota e Cocota", da ed. Cuca Fresca)
A
presença dos ônibus em áreas onde faltam equipamentos públicos de
cultura e lazer confere ao projeto grande relevância e prestígio nas
comunidades, avalia Zenita. E não há histórico de depredação ou
desrespeito com bibliotecários e oficineiros. "O ônibus chama muito a
atenção. E quando chega, os moradores, principalmente jovens, crianças
e mulheres, correm a buscar os documentos para fazer a inscrição
[e poderem pegar livros emprestados]. Porque, na maioria dos casos, a população não tem nada naquela área", explica.
No
Jardim Helena, zona leste da capital, por exemplo, a biblioteca pública
mais próxima fica a quatro quilômetros, e a média de leitores no
projeto Ônibus Biblioteca, em fevereiro, foi maior do que a da
biblioteca municipal mais frequentada da cidade -- a Monteiro Lobato,
no centro. Ou seja, 4.320 no mês, segundo reportagem do jornal
Agora, de 13 de abril.
O
projeto Ônibus Biblioteca foi o vencedor do Prêmio Viva Leitura 2008,
na categoria Bibliotecas Públicas, Privadas e Comunitárias. Seu acervo,
de 4 mil a 5 mil livros por veículo (com reserva de cerca de 160 mil
livros) é o mesmo das bibliotecas fixas.
Histórico
do Projeto Ônibus-Biblioteca