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Travessa 1
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44 SONETOS ESCOLHIDOS
Autor(es): WILLIAM SHAKESPEARE
Tradutor(es).: THEREZA CHRISTINA ROCQUE DA MOTTA
Capista.: João José de Melo Franco
ISBN 858912679X
POESIA ESTRANGEIRA
Páginas: 112
Formato: 12X18
Edição: 1ª
Idioma: PORTUGUÊS E INGLÊS
Ano: 2006

Preço: R$ 30,00
 

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(LOJAS PARCEIRAS)








Sinopse:
Em tradução livre, Thereza Christina Rocque da Motta manteve o clima amoroso dos sonetos, apresentando, em português, um Shakespeare gostoso de se ler. Após 390 anos de sua morte (1616-2006), a tradutora faz uma homenagem ao Bardo, escolhendo 44 dos 154 sonetos, descobrindo rimas ocasionais, sem se preocupar com a formalidade, acreditando que o ritmo das palavras produz o efeito certo no poema.
Orelha:
A PROPÓSITO DA TRADUÇÃO Thereza Christina Rocque da Motta Escolhi um a um os 44 sonetos de Shakespeare que traduzi para este livro. Eu tinha me proposto inicialmente a escolher 22, apenas para mostrar a minha forma de traduzi-los, porém outros sonetos se somaram aos primeiros e, agora, com estes, chego ao limite que considero um volume razoável para um livro de poemas. E encerro nos 44, porque quero que possam ser todos lidos por qualquer pessoa, principalmente as que não estejam habituadas a ler poesia. A minha proposta caminha em sentido contrário aos conceitos de tradução dos sonetos de Shakespeare, pelo que posso ver em outras publicações, ao dispensar a métrica e a rima do soneto inglês original. Preferi perder o soneto, mas salvar o poema. Além disso, nunca estudei tanto o Bardo para descer a profundidades literárias formais. Minha sensibilidade, no entanto, há muito pedia um novo modo de escrevê-los que eu apenas não sabia como iniciar. Porém, uma vez iniciado, segui até o fim do meu propósito, mesmo alegando ignorância na matéria shakespeariana. A força do que Shakespeare pôs em seus sonetos transcende a formalidade, pois hoje é impossível dizer tudo o que ele colocou sob esta forma em português. Os versos devem revelar poesia e não apresentar um poema encarcerado. Há sonetos que, se tivesse seguido a sua tradução literal ou acompanhado a métrica e a rima, eu não teria chegado ao mesmo resultado. Muitas vezes tive de interpretar o que Shakespeare quis dizer, ou eliminar do verso o que não fosse importante em português, pois ao traduzir fazemos uma escolha de sentido e relevância. No Soneto 43, por exemplo, o uso de "pálpebras" no lugar de "sightless eyes", ou seja, "olhos que não vêem" por estarem fechados durante o sono, foi uma interpretação que fiz em termos formais, pois "eyes", no caso, estão sob as pálpebras e, por estarem fechados, os olhos não podem ver, e é justamente sobre as pálpebras que se projetam os sonhos. Bem como a expressão "dead night", que literalmente significa "noite morta", que preferi usar "na calada da noite", em vez de optar pelo seu sentido literal: When in dead night thy fair imperfect shade Through heavy sleep on sightless eyes doth stay? All days are nights to see, till I see thee, And nights, bright days, when dreams do show thee me. Quando na calada da noite tua sombra bela e imperfeita Permanece sob minhas pálpebras durante o sono? Todos os dias são noites até que eu te veja, E as noites, dias claros, ao te mostrar em meus sonhos. Realmente, a imagem é belíssima, mas não me preocupei como outros tradutores resolveram isto. Já li traduções formais que parecem tão desconfortáveis que chegam a perder todo o sentido. É claro que empresto o meu modo de escrever aos sonetos, a minha forma de dizer a mesma coisa, e traduzir não é senão isto, pelo menos, como eu entendo. Mesmo em prosa, transcrevo como costumamos dizer em português. Não traduzo nada literalmente a não ser que tenha o mesmo sentido e seja assim que digamos. Há vezes que coincidem, outras são diametralmente opostas. Sou tradutora há mais de vinte anos, mas só cheguei a este modo de traduzir com o tempo e o exercício constante, e a interpretação sempre foi uma característica ao buscar o que estava sob a capa formal da palavra. Ao mostrar o que vinha traduzindo, muitos dos que leram os sonetos me incentivaram a continuar, dizendo-me que finalmente entendiam o que Shakespeare escrevera, que não haviam compreendido em outras traduções. Justamente em prol da compreensão dos sonetos de um dos poetas mais controversos e decantados de todos os tempos, que me pus a traduzi-los do modo como eu os sentia e como poderiam ser escritos em português, sem me preocupar em enformá-los em nenhum molde, deixando apenas aflorar a beleza contida em seus versos.

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